Brave Live 2013

Não existe nada que eu possa falar do disco Brave que já não tenha sido dito por mim e por muita gente bacana ao longo dos anos. Então vamos falar de história; vem comigo.

Em 1994, esperava loucamente o novo lançamento do Marillion. Nessa época, já tinha conhecido e me apaixonado pela banda há pouco tempo, e um novo disco – o primeiro a ser lançado após me apaixonar – era algo a se esperar com ansiedade. Na época, eu frequentava uma loja de discos no Itaim (Nuvem Nove, hoje fechada)  e ao saber do novo disco batia ponto todo dia lá. Enfim, acabei descobrindo que o Brave chegaria lá na sexta-feira.

No dia marcado, cheguei 8:00 no Itaim, e a loja abria às 10:00. Dei umas voltas no bairro, mas queria estar LÁ quando abrisse. Então, sentei-me em uma mureta de concreto, com o vento frio da cidade castigando. 10:00, a loja abre, o vendedor me recebe com um “é hoje!” no rosto, ajudei a abrir as caixas da distribuidora e o resto é história. Paixão arrebatadora, interminável.

De lá para cá, minha obsessão foi descobrir como seria um show da banda tocando o disco todo. Já tendo devorado todas as letras, nuances e intenções da banda, queria saber “como era” ao vivo. Meu primeiro contato com o “como era ao vivo” rolou coisa de um ano depois, quando comprei na Galeria do Rock um VHS pirata de um show na Itália, filmado do camarote, de lado para o palco. Lá, alguns detalhes já existiam (como o “seqüestro” durante “Hard as Love”) e eles só alimentavam a fantasia.

Mais uns anos, um registro oficial ao vivo (Made Again) com o Brave na íntegra. Não era vídeo, mas o encarte era cheio de fotos bacanas que ajudavam a completar um pouco mais do mistério (castiçais no palco!). Vou confessar que nunca curti muito a interpretação do Brave ao vivo nesse CD, um tanto fria e sem a densidade do disco de estúdio. Mas já era algo.

Corta para 2003: com o lançamento de diversos materiais por iniciativa da própria banda, era possível ver e ouvir muitas performances ao vivo, aumentando a familiaridade com as músicas. E o novo lançamento em DVD era fundamental: Brave Live 2002. Mas não era para mim. Na época estava desempregado, passando por diversos problemas e compras no exterior não eram prioridade. Mas ainda assim consegui uma cópia VHS (tenho que confessar) para assistir, e a devorei em vários dias. Depois, como a vida continuou apertando, larguei. Uns tempos depois, um caro amigo me fez uma cópia em DVD, e revivi a coisa toda, ainda com o mesmo sense of wonder de 1994.

Anos depois, em um relançamento da Racket, comprei meu combo CD + DVD do Brave Live 2002. Curiosamente, era o único item que faltava na minha filmografia da banda.

Então, chegamos a hoje: Brave Live 2013. Absurdo colocar isso em palavras, mas eu ainda esperei o bluray com ansiedade, como se fosse algo novo. E o pior é que ainda é: eu vejo, eu escuto, e tem sempre um detalhe que ou você esqueceu ou sinceramente não tinha percebido. Incrível, né?

Não vou ficar te cansando com detalhes sobre a qualidade da filmagem, da performance, do clima, do reforço na parte performática da apresentação. Quem conhece já sabe como é, quem não conhece só vendo para entender. Digo só isso: são mais de 20 anos, e a obra continua pulsando, viva, mexendo com os órgãos e a alma.

Para não dizer que não falei de flores…

O bluray não é só Brave: os encores e extras são muito bons, e destaco com força a inclusão do vídeo projetado durante “Out of This World”, uma pérola rara de imagens de arquivo do Donald Campbell (você conhece o que há por trás dessa canção? Se não clique aqui). Esse é o tipo de material que merece ser visto sozinho, um belo “videoclip” para a música, arrebatador.

Trailer

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