SP, RJ, PQP!

Esse é um post cheio de visões pessoais, talvez até demais. Mas resenhar o show já foi feito por muita gente, alguns com uma capcidade e imprcialidade melhor que a minha. Esse é um texto para colocar em palavras sensações, emoções, enfim, tudo que se passou fora do ambiente racional. Desculpe se parecer muito babaca ou redundante.

Em 1997, eu gostava de Marillion, mas não era aprofundado na obra. Já tinha ficado em porta de loja esperando abrir para pegar minha copia do Brave, já brincava de resenhar disco a partir dos discos do Marillion, mas não tinha o fanatismo.

Chegou então o show no Brasil. Tinha ingresso para os dois dias, mas fui separado do primeiro dia por problemas pessoais. E veja você, eu nem lamentei. No segundo dia, eu consigo me lembrar detalhes imbecis do tipo a roupa que eu vesti, o que comi no Habib’s que tinha na porta do Olympia antes do show, ter encontrado meus amigos da ESPM e outras coisas bestas, bestas.

Quando ouvi “Beautiful” ali, na minha frente, em 2012, eu me lembrei como foi a sensação em 1997. Chorei, sem sacanagem. Aquele dia de 1997 me transformou em apaixxonado, em evangelizador dessa palavra, desses sons que sempre puderam ser feitos, por mais que não parecesse possível.

Voltando aos shows recentes, SP foi intoxicante pelo otivo acima, e também por vários momentos “ficha caindo”. Assistir o show a coisa de 10 metros da banda é alucinante, algo que em 1997 não consegui. As falhas técnicas, a falta de equipamento que tomou conta dos dois shows, o setlist que podia ter isso, podia ter aquilo…tudo muito pequeno perto de sentir o arrepio de ver um Steve Hogarth no mezanino da casa, cantando os primeiros versos de “Splintering Heart”. Ou a emoção de ver qualquer – repito, qualquer – solo do Steve Rothery, com a mesma carga emocional de quem ouve pelas primeiras vezes. Ou ver o Pete Trewavas correndo de um lado para o outro do palco. Ou ver uma banda sem frescura, que dá risada do problema, improvisa, ouve o público e troca músicas, toca coisas fora do programa…enfim.

Terminado SP, tinha a viagem para o RJ. Tinha que acordar 5 da manhã para tomar banho, já ia chegar tarde em casa e cheguei mais tarde ainda porque tive um acidente com o carro na volta (dirigindo intoxicado por emoção, talvez?). Fomos eu e a patroa para a cidade maravilhosa, em 2 dias de turismo puro, enquanto tentava não ficar muito ansioso para o show.

Para que? O hotel era do lado do Vivo Rio, e ao passar pela avenida vi o totem do lugar com a imagem:

Eu tinha ingresso de pista superior, achando que depois da VIP em SP eu iria querer ver mais de longe no RJ. Imagine você: 16:00 eu estava na bilheteria trocando meu ingresso para a pista premium, após muito xaveco na moça do Vivo Rio. Ainda deu tempo para ajudar dois gringos perdidos na fila, um deles uma grata supresa.

Stefan Schulz faz parte do staff da Web Germany, e veio para o Brasil ver o show e fotografar (a foto desse post na capa do site é dele, assim como algumas creditadas aqui). Tivemos 1 hora de conversa na porta da casa, trocando impressões sobre o Brasil, sobre o público, como funciona o esquema de shows aqui, como o ingresso é caro para nós, etc. e tal.

Passado o papo, fui visitar um antiquíssimo amigo no RJ para um esquenta antes do show. É sempre um prazer enorme visitar o João Saravia (para quem é do RJ e da cena rock / metal, deve conhecê-lo como baterista do Sigma 5), mais ainda quando ele recebe a gente com cerveja e Marillion rolando no som. Quanto rolou “Beyond You” no som do João eu pensei FODEU, O SHOW TÁ CHEGANDO e comecei a ficar nervoso, ansioso de novo.

Devo confessar que cheguei no Vivo Rio bêbado. As primeiras músicas fluiram leves, leves…mas o álcool não resistiu ao meu deslumbramento e lá pela “Power” eu já estava recuperado.

Não teve uma música sequer nesse show que eu já não tenha visto no HSBC ou no Olympia em 1997. mas ainda assim o clima era bem distinto, a banda parecia mais à vontade, e atendeu alguns pedidos do público, mais notadamente “Lavender” e “Easter”, que trouxeram a casa (e eu, confesso), abaixo. Mostra que a atitude do Marillion de ouvir os fãs, de colocar a internet na frente da relação “top down” das gravadoras se traduz na prática, mesmo nos ambientes mais controlados, como setlists.

Os problemas em “The Invisible Man” foram chatos, mas também mostraram bem a proposta da banda: improvisaram, deram risada e ninguém saiu insatisfeito, de cara feia ou nada.

Foto: Stefan Schulz

Enfim, acabaram-se os shows para mim, visto que segunda-feira precisava estar cedo no escritório e Porto Alegre ficou difícil. Mas a experiência foi fantástica, matei um atraso monstro, causado inclusive por minha incompetência de sempre deixar a vida ultrapassar minha vontade de fazer mala e ver a banda se apresentar fora do país. Esse é um daqueles pequenos milagres que deixam a gente radiante por muito tempo.

Até aí, todos esses sentimentos eram meio esperados; afinal, não comecei a ouvir a banda ontem, nem era a primeira vez que a via ao vivo. O que me surpreendeu foi outra coisa.

As amizades foram fundamentais para fazer desse fim de semana alguns dos dias mais especiais que já tive: os amigos de sempre, as amizades reforçadas pelo gosto comum pela banda em tempos passados, e as amizades que este blog me trouxe. É engraçado você começar a fazer um trabalho desses pensando “é para mim mesmo, pouco me importa se alguém ler ou não” e de repente você sentir o carinho de tanta gente assim, ao vivo, e ver que esse espaço me ajudou a conhecer gente tão legal, com um astral tão bacana.

Tenho algumas mágoas? Até tenho, mas é secundário, tenho mais preocupação de alguém estar magoado comigo por qualquer razão que me escape, mas é da vida. Vou aproveitar esse canto para reforçar que tudo que faço é (1) para mim e (2) para a banda, nessa ordem mesmo. Faço porque gosto da banda, continuo fazendo (e voltei a fazer) por causa dela, mas também das pessoas que curtem isso aqui (por motivos que desconheço, rs) e que fazem absoluta questão de vir dar um abraço (eu não dispenso abraço; trocaria por dinheiro se não caracterizasse prostituição).

Para quem não olhou esse texto por cima e disse “tá louco que vou ler tudo isso”, obrigado por acompanhar. Obrigado à banda por existir, vir e entregar tanto mesmo sem precisar fazer muito para fazer perfeito aos meus olhos e  ouvidos. Obrigado e todos s amigos, de todos os níveis, tempos e fontes de amizade por serem quem vocês são.

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Uma resposta para “SP, RJ, PQP!

  1. Grande resenha, Rodrigo!

    Meu filho desanimou e eu não tive coragem de ir sozinho ao Show no Rio.

    Se arrependimento matasse… : )

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