[Semana STCBM] A resenha

Para começar a semana dedicada ao Sounds That Can’t Be Made, vamos à tradicional resenha, review, comentário, como você preferir.

Como em todo disco do Marillion, o primeiro sentimento é de estranhamento. Há um tempo de adaptação, em que coisas que você parece não gostar se tornam sensacionais e coisas que te empolgaram caem no conceito.

STCBM, entretanto, foi de fácil absorção. Não é uma ruptura radical com o disco anterior (Happiness is the Road), possui um bom punhado de faixas digeríveis nas primeiras ouvidas e ele tem um tempero de Marillion dos anos 90 em diversos momentos.

Faixa a faixa, o disco fica assim:

Gaza

Eu acho que é uma das melhores musicas que o Marillion produziu nos ótimos anos. Apesar do posicionamento político nas letras da banda não ser novidade, essa parece que vai mais fundo no engajamento, produzindo um discurso tão eficiente sobre a situação na região que poderia ser até usada como peça de propaganda de ONG. Mas o realmente interessante da letra é não cair no pieguismo militante, e ser mais humana, instigante.

Duas coisas me chamam a atenção fortemente na melodia: o uso de melodias orientais e a agressividade de alguns momentos. Letra e melodia casam muito bem, clássico Marillion.

Sounds That Can’t Be Made

A faixa-título é mais um caso de típica música da banda: uma faixa relativamente curta, que comporta dois movimentos bem distintos um do outro. No primeiro movimento, a letra corre como um jogral, com uma estrutura básica, mudando palavras, personagens e sentimentos a cada estrofe, separados por um instrumental quase eletrônico.

Na segunda parte, um Marillion mais clássico. Começando pelo delicioso solo de teclado, fechando em um momento que lembra DEMAIS “A Day in the Life” dos Beatles e fechando em um solo igualmente delicioso do Steve Rothery, chegamos à catarse dos últimos versos da música. Forte no conjunto, bem estrutura, é uma das melhores do disco.

Pour My Love

Essa música me lembra demais “Dry Land”, por motivo nenhum, questão de feeling mesmo. É uma balada bem bonitinha, sofisticada até no arranjo, com metáforas bem feitas.

Destoa do resto do disco, pelo tem e pela estrutura, mas é bacana demais para ser criticada. Caberia tranquilamente no Holidays in Eden. A letra – por algum motivo que também me foge – me encanta. Tenho comigo que é uma letra bobinha até, mas ha algo na metáfora “flores-chuva-amor” que me encanta. Sentimentos pequeno-burgueses…

Power

Música brilhante. Ela não tem grandes reviravoltas, nem solos explosivos, mas vem carregada de grandes momentos, um refrão poderoso e um trabalho de conjunto fenomenal.É também um clássico exemplo do estilo Marillion de ir regando uma canção com cada vez mais tensão, até o limite do insuportável.

Ela é uma das faixas do disco novo que tem cara de “coisa nova”: não me lembra nada que tenha sido feito em discos anteriores, mesmo com essa minha referência ao estilo de “elevação da tensão” que falei em cima. Séria candidata a ficar nos sets da banda por um bom tempo, em tempos de single, ela teria que ser escolhida para promover o álbum.

Montreal

No começo, tive dificuldade de gostar dela. Eu a achava desconjuntada, partes muito aleatórias, e a letra me incomodava. Por mais que eu entenda que a cidade foi palco de um acontecimento especial para a banda e por mais interessante que eu ache os diários de viagem do Steve Hogarth, uma letra construída sobre esses elementos não seria piegas demais?

Mas enfim, parece que tudo clicou comigo quando enxerguei a cancao como uma mini-opera, com movimentos distintos musicalmente, e quando vi que a letra tinha seus méritos ao não ser tão literal, brincando com algumas alegorias bem interessantes, como a passagem sobre o Cirque du Soleil.

Não chega a ser uma música memorável, mas tem suas qualidades.

Invisible Ink

Adoro a letra dessa música, uma mistura interessante entre brincadeira de criança e vida adulta. O refrão empolga bastante, dá para cantar a plenos pulmões I HOPE YOU DON’T THROW MY LITTLE NOTES AWAY, e por aí vai.

Lucky Man

Não diz ao que veio. Retoma a brincadeira dos sons exóticos do Less is More (o começo até lembra a versão de “Quartz” do L=M), mas me soa como uma tentativa de recriar “Three Minute Boy”, mas sem nenhum do apelo da faixa. E convenhamos, mesmo “Three Minute Boy” não é o melhor que a banda pode oferecer.

Dispensável.

The Sky Above the Rain

Uma pérola no final do disco. O piano que move a melodia é hipnotizante, toca bem toda a tristeza da primeira parte da música, movida por uma letra que é pura tristeza, de apertar o coração.

Toda essa primeira parte é melancólica, mas bonita ao mesmo tempo, aquela angustia apaixonante de uma “The Great Escape”, de uma “The Invisible Man”…já a segunda parte é só amor, bem no estilo da banda, lembrando muito o final de “A Few Words for the Dead”, e um trabalho primoroso do Steve Rothery.

Pode me chamar de masoquista, mas o final feliz, apesar de belíssimo, me incomoda. Queria ver até onde ia o sofrimento do casal desconcertado. Mas para um disco que começou tão pesado com o tema Palestina, é um final apropriado.

==

Nos finalmentes, Sounds That Can’t be Made tem cara daqueles discos que fazem a ponte para mudanças no som da banda, como já foram Somewhere Else, Radiation e outros.

Porém, se eu tivesse que arriscar um palpite, eu diriq que a banda estabilizou nesse ponto, mesmo porque não tem muito mais discos pela frente e esse é um caminho que ainda dá uma boa rodagem, visto a diversidade do disco.

De qualquer maneira, é um belo trabalho que mantém o padrão alto com que nos acostumamos nos últimos anos.

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3 Respostas para “[Semana STCBM] A resenha

  1. Pingback: Sounds That Can’t Be Made por 1 semana! | Script For Happiness·

  2. Tenho que dizer que amei este album desde a primeira vez que eu ouvi.

    Marillion nunca nos decepciona!

    Bela critica. Achei Montreal a melhor do disco, apesar da letra não ter me agradado muito. Concordo que Lucky Man seja a mais fraca, mas a adorei mesmo assim.

    Nota minha: 9/10

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