[L=M] Resenha: Unplugged At The Walls

m_rack10

A primeira resenha da semana é do Unpluggeed at the Walls, primeiro disco acústico da banda, lançado em Março de 1999.

Cabe primeiro uma nota pessoal. Este disco foi o primeiro que comprei via Racket Records, lá em 2000. Na verdade, foi minha primeira compra online, o que torna esse disco em particular meio especial para mim, pois foi o início do contato com o novo modelo de negócio que a banda já iniciava na década anterior, de lançamentos independentes.

Na época, a banda não era totalmente independente, visto que tinha um compromisso com a hoje falida Castle, mas já tinha autonomia para lançar trabalhos como esse. O show também parece ter servido para encorajar a banda  a buscar sempre formatos pouco convencionais que chamem a atenção do público. Logo, mais que a importância pessoal que eu dou para este disco, há uma importância histórica para a banda.

Indo ao que interessa, Unplugged at the Walls foi gravado nos dias 25 e 26 de junho de 1998, em um pequeno restaurante na cidade inglesa de Oswestry. Para dar uma idéia de proporção, existem mais de 300 cidades somente no estado de São Paulo maiores que  Oswestry.

O que se sabe sobre o show é que a banda se ofereceu para tocar no restaurante em troca de comida e cerveja de graça. A notícia do show se espalhou, entradas tiveram que ser vendidas e as duas noites foram gravadas.

O público ajuda muito a fazer deste um bom registro ao vivo. Talvez por ser em um lugar (bem) pequeno, a proximidade de poucas pessoas torna ouvir o disco bem agradável.

O disco todo tem uma atmosfera densa, causada pelo rearranjo de várias músicas do repertório da banda para versões mais soturnas e pesadas. Porém, a qualidade dos arranjos é admirável, com sonoridades novas e boas sacadas, como a versão com swing de “Hooks In You”, completamente fora dos padrões de música e banda.

Outras canções que foram bem alteradas em seus arranjos originais incluem “The Answering Machine”, que chega a soar como Jethro Tull em alguns momentos, e “Alone Again In The Lap Of Luxury”, que vai pela mesma estrada do swing de “Hooks In You”, mas com a adição de teclados típicos de reggae (?)

Algumas músicas brilham sem praticamente nenhuma mudança de arranjo. Músicas como “Runaway” e “The Space” sofreram pouquíssimas mudanças (além das óbvias para o formato acústico). “Beautiful” (aquela da novela, lembra?) é simplificada mas retem a delicadeza e gradiosidade da versão, valorizando horrores o trabalho do Mark Kelly no órgão. Se é que isso é possível, “Beyond You” está mais introspectiva que em sua versão original, com sons sutis abrindo caminho para o vocal firme do Steve Hogarth.

Aqui cabe um parênteses: o Afraid Of Sunlight é o disco mais representado neste registro, com nada menos que 5 músicas das 17. O clima do disco se explica muito por essas canções, e esta escolha mostra o quanto o AoS é um trabalho orgânico, pois as canções mal são alteradas em suas versões acústicas.

A título de curiosidade, “Now She’ll Never Know”, faixa acústica do Radiation, era uma música inédita à época do show / disco.

Mas tenho que abrir um capítulo especial para as covers do disco. “Blackbird” dos Beatles – pasem – é a menos interessante, por não trazer nada de novo. Agora, Radiohead em um disco acústico do Marillion é algo. A banda sobe vários degraus em relação à versão original e entrega “Fake Plastic Trees” como se fosse sua. A interpretação do Hogarth é soberba, e o teclado é belíssimo, dando alma para a música.

Em uma pequena trapaça do formato acústico, Steve Rothery empunha a guitarra para fazer a quase desconhecida “Abraham, Martin and John”, de Ricahrd Holler (e já coverizada por Marvin Gaye!), em uma versão muito interessante, com solos monstros em seu miolo.

O Unplugged At The Walls é o primeiro trabalho acústico da banda, e apontou a receptividade do formato pelos fãs, que levou a banda a muitas outras incursões no estilo e que culminou com o Less Is More.

Classificação: 3,5/5

Anúncios

Uma resposta para “[L=M] Resenha: Unplugged At The Walls

  1. Pingback: …and less is like more… « Script For Happiness – Um blog sobre Marillion·

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s