
Após quase 10 anos sem dar sinal de vida, o Transatlantic ressurge com um novo disco. Se você desconhece a banda, é um projeto que inclui o nosso já conhecido Pete Trewavas, juntamente com Mike Portnoy (bateria – Dream Theater), Neal Morse (teclados – Spock’s Beard) e Roine Stolt (guitarra – The Flower Kings), com os 4 compartilahndo os vocais em faixas que resgatam o tradicional estilo do prog sinfônico de bandas como Genesis e Yes.
Para o terceiro disco, foi necessária a volta de Neal Morse, que dissolveu o projeto em 1999 2001 (obrigado ao Marco, do fóum da YtseBR pela correção) para se dedicar a trabalhos de temática mais religiosa. O trabalho partiu de uma idéia do próprio Neal Morse, logo é de se esperar um tom espiritual mais acentuado que dos discos SMTP:e e Bridge Across Forever.
Esse tom mais acentuado certamente vai torcer alguns narizes, que não gostam da religiosidade explícita do trabalho solo do compositor. Porém, a banda complementa bem este caminho, equilibrando as idéias do disco com temas mais mundanos, ainda que dentro de um conceito determinado pelo próprio Neal. Além disso, o som que fez o TA famoso está intacto, até com um refino maior.
Percebe-se neste disco uma influência maior dos 4 elementos da banda, ao invés de centralizar nos dois principais compositores (Roine Stolt e Neal Morse), gerando trechos mais diversos, idéias mais arriscadas e um resultado mais satisfatório que o esperado. Esta é uma boa notícia, visto que o excesso de discos lançados pelo Neal Morse nos últimos anos pode prejudicar a audição de um disco do Transatlantic, caso a influência dele fosse tão grande como foi nos dois primeiros trabalhos do projeto.
A música, um monstro de 77 minutos dividida em 12 partes, apresenta todas as características que deram status de megabanda para o Transatlantic: harmonias vocais riquíssimas, partes instrumentais complexas a dobradinha “Piece Of Heaven” / “Is It Really Happening?” traz facilmente a performance mais inspirada da banda) e temas recorrentes por todo o disco, amarrando as músicas e criando grandes momentos.
A parte vocal ganhou uma atenção redobrada, a ponto do Pete Trewavas levar suas partes para a Inglaterra e gravá-las nos estúdios da banda (Racket Club), com supervisão do Michael Hunter. O resultado é absurdo, e visto em faixas como “Out Of The Night”, onde os vocais se revezam e se juntam em diversos momentos.
O plano permitiu que o Pete se concentrasse apenas nas linhas de baixo enquanto estava em Nashville (EUA) para as sessões de composição e gravação, com grande sucesso. Pete Trewavas é definitivamente o músico mais inspirado em The Whirlwind, com linhas de baixo onipresentes, sonoridade absurdamente próxima à de baixistas clássicos como Chris Squire (Yes) e melodias marcantes.
A edição especial do disco traz CD e DVD bônus. o CD bônus é uma mistura de composições que não foram aproveitadas no disco principal com covers. Das músicas novas, vale ressaltar de novo o Pete Trewavas, com uma belíssima canção. “Lending a Hand” tem parentesco direto com a psicodelia de Beatles, Procol Harum, Pink Floyd e outras bandas inglesas gigantes do estilo. Sempre que ouço Beatles em uma música do Marillion, tenho quase certeza de que tem muita mão do Pete nisso, e “Lending a Hand” comprova a teoria.
Nas covers, vale a interpretação muito bacana de Mike Portnoy em “A Salty Dog”, do Procol Harum, a versão indefectível de “The Return Of The Giant Hogweed” do Genesis e a belíssima combinação de duas músicas chamadas “I Need You”: a do America e a dos Beatles, criando uma única faixa muito interessante.
No DVD bônus – como se tudo isso que eu disse já não fosse o suficiente – há o making of do disco, em documentário de quase 2 horas de duração, para mostrar a mágica de se fazer um disco de 77 minutos, repleto de partes complexas e melodias recorrentes em apenas um mês.
Abaixo, o trailer do documentário:
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